
Um fato sobre mim: Além da beleza, Deus esqueceu de me dar paciência também. (garotaimperfeita ☼)
(via l-o-v-e-i-s-i-r-o-n-i-c)

Era uma vez uma menina, tem uma vida feliz, ou pelo menos ela parece feliz.
Teve uma infância e uma adolescência normais, com problemas que todos têm, mas nada de insuportável.Porém ela tem um diferencial, algo que ela já tinha antes mesmo de nascer:uma família complicada. Sua mãe foi criada pelos avós, ou seja ela chamava a avó ‘verdadeira’ (até poderia usar o termo biológica, mas as duas avós são do mesmo sangue.) de tia e a bisavó de ‘vó’. E no meio dessas confusões entre laços sanguíneos e documentos oficiais do cartório, ela crescia sem se importar, até no dia 19 de agosto de 2003 sua bisavó faleceu e ela teve que deixar de lado seu orgulho bobo e infantil e passar a considerar, aquela que antes era apenas tia, como sua avó (o que era comprovado geneologicamente). Mas mesmo assim, a garota de personalidade forte (ou que pelo menos se achava forte) não apresentava a avó como tal, mas ainda como tia. E se for para falar de avô paterno a coisa piora ainda mais, pois nem ela nem sua mãe conhecessem o verdadeiro avô da menina, e seu ‘bibo’ faleceu antes mesmo de ela nascer.
Porém essa não é a sua maior complicação, porque ainda tem a história da família paterna.
Seu pai foi criado pela tia, porém diferentemente da mãe esse conhecia seu pai que faleceu quando a garota tinha 4 anos de idade, e as únicas lembranças que ela possui são flash’s do dia do velório.
Se você acha isso triste, não pense que a garota sofreu. Porque sempre compensou de outra forma e depois nem é tão ruim assim (ou é, não sei mais.). Bem na verdade ela nunca teve tempo de parar para sentir falta de um avô ou uma avó nos almços de domingo, porque sempre foi ocupada demais.
No entanto, conforme os anos foram se passando, a garota amadurecendo e entendendo a situação. Compreendeu então que ser mãe solteira aos 19 anos há 40 anos atrás não era tão simples assim, que lidar com pobreza, alcoolismo e muitos filhos em uma sociedade preconceituosa e desigual, como era quando seus pais nasceram (e não mudou muito) era uma tarefa muito complicada. Passou então a nutrir um sentimento de perdão dentro dela, e acabar com aquela tolice que havia sua mente de não aceitar seus verdadeiros avós. E quando estava prestes a completar dezoito anos decidiu que queria conhecer a mãe de seu pai, mas como a maioria das coisas que diz, não o fez, apenas disse.
Até que dois meses depois recebe a notícia que sua avó paterna tinha falecido.
E mesmo não a conhecendo sentiu uma dor muito forte e um sentimento de culpa irrepáravel, uma tristeza tão profunda que era como se elas tivessem tido uma convivência normal. Mas era uma tristeza diferente, não era saudade. Essa dor tinha nome: Consciência de culpa, ela se entia culpada por ter deixado a senhora falecer sem conhecer a neta, se colocava no lugar da mulher e imaginava o tempo todo como seria morrer sem receber o perdão de seu filho e sem conhecer a neta.
É já percebe-se que essa garota sou eu, e que essa é a minha história familiar mal resolvida. Ontem recebi a notícia de que essa senhora havia morrido e não estou estou exagerando quando digo que dói, dói ficar imaginando ‘como seria se eu tivesse conhecido ela’, se ela tivesse feito bolo de fubá pra mim no fim da tarde, se ela pudesse ter me ensinado a tricotar, a bodar, costurar, fazer crochê, se tivesse me contado histórias da família, se tivesse encobertado meus erros, se tivesse me ensinado uma receita que só ela sabia. Como teria sido?
‘Se tivesse, se tivesse, como seria, como seria’. É os verbos que até então eram conjugados no futuro (’ quando eu conhecer’, ‘eu vou fazer’ ) agora estão no futuro do pretérito, e vocês não sabem o quanto dói saber que ‘seria’ assim.
‘Jennifer Oliveira Martins

Aceite: O que foi embora, teve que ir. Ou para dar espaço para algo maravilhoso, ou para quando voltar, ser melhor do que já era antes. ♡
Por todas as madrugadas que eu fiquei aqui pensando em você, por todas as manhãs que eu acordei querendo você ao meu lado, por todas as tardes chuvosas em que você deveria estar me abraçando, por todas as vezes que eu quis te ligar mas não tive coragem, por todas as vezes que eu fingi não me…
(Source: kefera)